Filosofia, fundamento das ciências

“Ama a sabedoria quem a busca por si mesma e não por outro motivo; pois quem busca algo por outro motivo, ama esse motivo mais do que aquilo que busca”, diz São Tomás de Aquino.[1] Filosofia, como se sabe, é “amor à sabedoria”; é a ciência que busca as causas últimas de todas as coisas, mediante a razão. É a rainha das ciências, que, por excelência, busca a Verdade.

Todas as outras ciências têm sua raiz ou alguma relação com a Filosofia, e todas podem servir-lhe de objeto. De certa forma, todas buscam também a Verdade, mas, porque buscam causas particulares dentro de seu próprio universo e sob seu próprio ponto de vista, não alcançam a mesma extensão da Filosofia, e não são capazes de chegar às causas últimas. Um cientista pode, por exemplo, descobrir uma reação química que, em baixas proporções, otimize um processo industrial, mas em grandes proporções, possa devastar uma cidade. Do ponto de vista da ciência, isoladamente, trata-se de um grande feito. Do ponto de vista mercadológico, pode representar um sucesso espantoso. Mas caberá à Filosofia – mais especificamente, à Ética – avaliar a aplicação prática dessa reação química

Seja para satisfazer exigências intelectuais ou para atuar bem moralmente, qualquer pessoa que se dedique à vida intelectual precisa de uma sólida base filosófica. E é imperativo que essa base seja uma Filosofia reta, de acordo com a realidade; não seja uma Filosofia instrumentalizada, a serviço de outras ciências ou interesses que não sejam a própria Verdade. Se o intelectual se dedica, por exemplo, a estudar algum aspecto do ser humano – como o comportamento humano, suas relações sociais, etc –, deve em primeiro lugar compreender quem é o Homem. Da resposta a esse questionamento dependem muitas coisas. Se a resposta é “apenas um amontoado de células”, o desenvolvimento de toda a tese ou investigação que segue pode estar comprometido por um pressuposto equivocado. Pode resultar daí que se trate uma pessoa apenas por seu aspecto biológico, sem ter em conta toda sua complexidade.

Para conclusões corretas, são precisos pressupostos corretos. Como diz São João Paulo II, “quando a razão consegue intuir e formular os princípios primeiros e universais do ser, e deles deduzir correta e coerentemente conclusões de ordem lógica e deontológica, então pode-se considerar uma razão reta ou, como era chamada pelos antigos, orthos logo, recta ratio”.[2]

A Filosofia não se limita às questões de seu tempo, ainda que esteja totalmente interessada nele. Também não se limita a fazer elucubrações teóricas nada condizentes com a realidade. Quando se trata de uma Filosofia reta, com pressupostos seguros, os problemas sobre os quais se dedica perpassam as eras e se ajustam às culturas, porque partem de verdades perenes. Uma pessoa que deseja se dedicar à vida intelectual deve conhecer essa Filosofia, para ter claro o caminho que deseja seguir.

A vida intelectual é também, em última instância, um encontro com Deus, por meio da realidade. Levada com profundidade e retidão, pode encaminhar para apenas um Fim: Deus, Fim último do Homem e Causa de todas as coisas. À procura da Verdade e das causas últimas, o homem se depara com a evidência de uma Causa Primeira, de uma causa que não foi causada. “Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-O e amando-O, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio”.[3]

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