Êxodo – uma saída para crer em Deus

ÊXODO:

 UMA SAÍDA PARA CRER EM DEUS

Prof. Dr. José Ulisses Leva [1]

INTRODUÇÃO

O Artigo Êxodo: uma saída para crer em Deus quer ser um itinerário de compreensão de um Povo que buscou entender a vida além dos próprios olhos. Saiu em marcha à procura de uma terra na confiança além das próprias forças. É um belíssimo Livro da Sagrada Escritura que narra a epopeia de um povo errante e marca a vida dessa gente protegida pelo Altíssimo.

Como posso contribuir para a leitura do Livro do Êxodo como uma via do conhecimento de Deus? Como entender a Revelação? Como explicar a oralidade de um povo? Como confiar na Sagrada Escritura? Como entender a Aliança firmada por Deus a um povo? Até onde a Palavra é Revelada e até quando é interpretação é humana? Aliança é um pacto de amor e fidelidade? A aliança é graça e liberalidade? A Palavra de Deus manifestou-se na História? O discurso de Deus inseriu-se na História?

Êxodo significa escutar e entender o desígnio de Deus ou ficar a serviço dos ídolos ou déspotas. O povo judeu ouviu e aceitou Deus em suas vidas e marchou pelo deserto até encontrar a Terra da bonança e da prosperidade.

ESTABELECER A ALIANÇA

“Com eles estabeleci a minha aliança, para dar-lhes a terra de Canaã, a terra em que viveram como migrantes e estrangeiros” (Êx 6,4). Deus convoca a Aliança. Ele faz o chamamento para a conquista da Vida, sem espoliações e sofrimentos. Somos estrangeiros nesse mundo, mas Deus quer que as pessoas vivam na felicidade e na paz. Deus convoca, estabelece a Aliança e proporciona a Terra.

MONTE SINAI

Deus se manifesta em terríveis fenômenos. Naturalmente Deus se serve da Criação para falar e se comunicar com os Homens e Mulheres (Dicionário Bíblico Mckenzie, p 25). A linguagem de Deus se faz compreensiva nas atitudes e pequenos gestos que dispõem a natureza. O Monte como lugar de Deus e os fenômenos como linguagem de Deus. “Moisés respondeu: ‘Não temais, pois Deus veio para vos provar, para que tenhais sempre presente o temor de Deus e não pequeis’” (Êx 20,20). SINAI significa o sinal e pres3ença amorosa de Deus.

JAVÉ ESTABELECE A ALIANÇA COM ISRAEL

“Moisés pegou, então, o sangue, aspergiu com ele o povo e disse: ‘Este é o sangue da aliança que o Senhor fez convosco, referente a todas estas cláusulas’” (Êx 24,8). Aliança é pertença dialogada. Tendo Moisés respondido ao chamado e convocado o povo a aspersão do sangue a Aliança recebe validade de ambas as partes.  Sendo o sangue a própria Vida, Moisés entendeu que Deus estava proporcionando o resgate da escravidão para a plena liberdade, não entendida como liberdade vigiada e sufocada, mas como plenitude e Amor Eterno.

LIBERDADE HUMANA NA ALIANÇA COM DEUS

“O povo inteiro respondeu a uma só voz: ‘Faremos tudo quanto o Senhor falou’. Moisés foi transmitir a resposta do povo ao Senhor” (Êx 19,8). Quando da convocação da parte de Deus há sempre o respeito e a liberdade de resposta. Quando conscientemente o povo responde sim Deus age copiosa e abundantemente.

ISRAEL TORNA-SE O POVO DE JAVÉ E ESTE SEU DEUS

“A Aliança surgiu a partir da iniciativa e da eleição de Iahweh e não dos méritos de Israel” (Dicionário Bíblico, Mckenzie, p 25). Por amor Deus convocou Israel para ser seu povo, escolhendo-o em referência a todos os povos da Terra. Uma eleição que partiu do Altíssimo Deus.

Assim Deus falou: “Eu vos tomarei como meu povo e serei o vosso Deus. Assim sabereis que eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos liberta dos trabalhos impostos pelos egípcios” (Êx 6,7). Ao mesmo tempo Deus escolheu Israel e o livrou de todas as suas tribulações. Deus escolheu Israel e este o aceitou como Único e Verdadeiro Senhor.

MANDAMENTOS

“Deus pronunciou todas estas palavras: ‘Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirou do Egito, da casa da escravidão. Não terás outros deuses além de mim. Não farás para ti imagem esculpida, nem figura do que existe em cima, nos céus, ou embaixo, na terra, ou do que existe na água, debaixo da terra. Não te prostrarás diante de ídolos, nem lhes prestarás culto, pois eu sou o senhor teu deus, um Deus ciumento. Castigo a culpa dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração dos que me odeiam, mas uso de misericórdia por mil gerações para com os que me amam e guardam os meus mandamentos. Não pronunciará o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não deixará sem castigo quem prenunciar seu nome em vão. Lembra-te de santificar o dia do sábado. Trabalharás durante seis dias e farás todos os trabalhos, mas no sétimo dia é sábado, descanso dedicado ao Senhor teu Deus. Não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu escravo, nem tua escrava, nem teu gado, nem o estrangeiro que vive em tuas cidades. Porque o Senhor fez em seis dias o céu e a terra, o mar e tudo o que eles contêm; mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia do sábado e o santificou. Honra teu pai e tua mãe, para que vivas longos anos na terra que o Senhor teu Deus te dará. Não matarás. Não cometerás adultério. Não furtarás. Não darás falso testemunho contra teu próximo. Não cobiçaras a casa do teu o próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que lhe pertença” (Êx 20, 2-17).

O Código contendo os Mandamentos orienta o povo de Israel a felicidade e, também, a fidelidade. Aliança pressupõe reciprocidade. É preciso manter a Aliança.

MEMÓRIA DA ALIANÇA (KUTSCH)

“Depois do Exílio, a Festa de Pentecoste, se tornou o dia da Memória do estabelecimento da Aliança”. (Dicionário de Teologia Bíblica, Bauer, p 35). Somando aos Mandamentos a Memória faz lembrar o juramento de Israel ao Verdadeiro e Único Senhor. Quando se esquece da Memória a Aliança, também, pode ser esquecida. É preciso permanentemente viver os Mandamentos, para que Deus continue a guiar o povo de Israel, afastando-o de toda cilada, a Terra Prometida.

CONCLUSÃO

O crente crê que éramos amados por Deus antes mesmo de vir ao mundo. O crente acredita ver além dos olhos e enxergar além do horizonte.

Quando deixamos a nossa casa saímos para lutar e vencer. A saída do povo de Israel foi marcada pela expectativa em uma vida nova e entrega absoluta em Deus, para que Ele garantisse a Vida e a Descendência.

O discurso de Deus e a Aliança por Ele proposta revestiu-se de linguagem humana na cultura judaica.  Linguagem esta que foi sendo maturada e construída ao longo de um itinerário. A Revelação é dom de Deus e descoberta do Homem. É uma resposta dialogante entre o Eterno e o finito. O Monte Sinai é o lugar onde Deus fala e a terra é o lugar onde o Homem e a Mulher vive e cultua o único e verdadeiro Deus.  A hermenêutica bíblica não substitui nem muda o texto, mas o deixa falar mostrando o projeto de Deus.

A oralidade é entendida como respeito e confiança.  A oralidade é a palavra falada solene e que produz o ritual de pertença. É um querer bem da parte de Iahweh e um bem responder da parte da humanidade.

A Palavra de Deus manifestou-se na História e o seu discurso foi inserido e situado no contexto humano. Revestiu-se de uma linguagem e assumiu a cultura judaica. A Fé hebraica nos mostra que Israel presta culto a Iahweh. Há um pacto (hesed) de amor e fidelidade entre Deus e o povo eleito.

BIBLIOGRAFIA

BAUER, J.B. Dicionário de Teologia Bíblica. (Tradução Helmuth Alfredo Simom). Vol I, 4ª ed, São Paulo: Loyola, 1988.

MCKENZIE, J.L. Dicionário Bíblico. (Tradução Álvaro Cunha  … et al.; revisão geral Honório Dalbosco). 7ª ed, São Paulo: Paulus, 1984.

VAN DEN BORN, A. Dicionário Enciclopédico da Bíblia. (Tradução Frederico Stein; coordenação da edição portuguesa Frei Frederico Vier OFM). 5ª ed, Petrópolis: Vozes, 1992.

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