Papa Francisco pede aos jovens dizer sim a Deus agora

D. Carlos Lema Garcia

O lema da JMJ do Panamá ecoou em todos os encontros com o Papa, foi comentado nas catequeses dos Bispos e o fio condutor das palavras do Papa Francisco, como ele mesmo mencionou na homilia da Missa de encerramento: “Ao longo destes dias, como um fundo musical, acompanhou-nos de modo especial o «faça-se» de Maria. Ela não se limitou a acreditar em Deus e nas suas promessas como algo possível, mas acreditou em Deus e teve a coragem de dizer «sim» para participar neste agora do Senhor. Possam vocês, de igual modo, sentir que têm uma missão, deixar-se apaixonar… e o Senhor decidirá tudo.”

Para animar o jovens a viver uma vida valiosa, logo no início da JMJ, o Papa os colocou diante de questionamentos fundamentais da existência cristã: conhecer e amar Jesus Cristo e a convicção de sentir-se amados por Deus. Para isso, relembrou as palavras de um santo centroamericano: «O cristianismo não é um conjunto de verdades para se acreditar, nem de leis para se observar nem de proibições… O cristianismo é uma Pessoa que me amou tanto, que deseja e pede o meu amor. O cristianismo é Cristo» (Santo Oscar Romero). O Papa aprofundou essa ideia fundamental: o cristianismo é Cristo! “É continuar o sonho pelo qual Ele deu a vida: amar com o mesmo amor com que Ele nos amou. Não nos amou pela metade, não nos amou um pouco… Amou-nos totalmente, cumulou-nos de ternura, de amor; deu a sua vida.”

A seguir, o Papa explicou o fenômeno que nos surpreende a cada jornada: uma enorme multidão de jovens provenientes de todo o mundo (no Panamá estiveram mais de 500 mil peregrinos): “O que nos impele a encontrar-nos? Vocês sabem o que nos mantém unidos? É a certeza de saber que fomos amados com um amor cativante, que não queremos nem podemos calar; um amor que nos desafia a responder da mesma maneira: com amor. O que nos impele é o amor de Cristo (cf. 2 Cor 5, 14).”

O Papa tocou o coracão dos jovens ao falar do amor de Jesus: “amor diário, discreto e respeitador, amor feito de liberdade e para a liberdade, amor que cura e eleva. É o amor de Deus, que entende mais de levantamentos que de quedas, de reconciliação que de proibições, de dar nova oportunidade que de condenar, de futuro que de passado. É o amor silencioso da mão estendida no serviço e na doação; é o amor que não se vangloria nem se enaltece, é o amor humilde que se dá aos outros sempre com a mão estendida. Esse é o amor que nos une hoje.”

Penso que muitos jovens presentes nesses dias no Panamá se sentiram profundamente interpelados diante de Deus, para serem generosos no discernimento da sua vocacão. O Papa explicou algo impressionante: Maria Santíssima era uma jovem muito nova em idade no momento em que recebeu o anúncio do arcanjo de haver sido escolhida pelo Amor de Deus para ser a Mãe do Filho de Deus feito Homem, Jesus Cristo. Deveria ter 15 ou 16 anos: uma menina na flor da idade. E dela, de seu sim, de sua resposta generosa, dependeu a realização do projeto divino da salvação, pela Encarnação da Segunda Pessoa da Trindade.

Essas foram suas palavras: “O anjo perguntou-lhe se queria trazer este sonho no seu ventre, se queria torná-lo vida, fazê-lo carne. Maria tinha a idade de muitos de vocês, a idade de tantas jovens como vocês. Ela respondeu: «Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra» (Lc 1, 38). Fechemos os nossos olhos, todos nós, e pensemos em Maria. Ela… sabia o que era o amor e respondeu: «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra». Nestes breves momentos de silêncio, em que Jesus diz a cada um – a este, àquele, àquele outro –: «Você está disposto? Você quer?» Pense em Maria e responda: «Quero servir a Deus. Faça-se em mim segundo a tua palavra». Maria soube dizer «sim». Teve a coragem de dar vida ao sonho de Deus. E o mesmo se pede a nós hoje: você quer encarnar com as suas mãos, os seus pés, o seu olhar, o seu coração o sonho de Deus?  Você quer que o amor do Pai lhe abra novos horizontes e o leve por sendas nunca imaginadas nem pensadas, sonhadas ou esperadas, que alegrem e façam cantar e dançar o coração?

Na homilia do último dia, o Papa exortou os jovens a não adiarem a sua resposta a Deus e nem pensarem que “a sua missão, a sua vocação e até a sua vida é uma promessa que vale só para o futuro, nada tem a ver com o presente”… Vocês, queridos jovens, não são o futuro… Vocês são o presente! Não são o futuro de Deus; vocês, jovens, são o agora de Deus. Ele os convoca… [para] realizar o sonho que o Senhor sonhou para vocês. Não amanhã; agora!”

Todos voltaram para as suas casas com o coracão ardente de alegria e com a inquietação de corresponder como o Papa Francisco espera: “Temos a coragem de responder ao anjo, como Maria, «eis-nos aqui, somos os servos do Senhor, faça-se em nós…»? Agora não respondam; cada qual responda no seu coração. Há perguntas que se respondem apenas em silêncio.”

“Em nome de Jesus, eu lhes digo: Vão e façam o mesmo. Não tenham medo de amar, não tenham medo deste amor concreto, deste amor que tem ternura, deste amor que é serviço, deste amor que dá a vida.”

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