Ascensão de Jesus ao Céu

D. Carlos Lema Garcia

Segundo o relato de Lucas, Jesus Cristo sobe ao Céu do mesmo local em que passou a agonia: no horto das Oliveiras. Os discípulos, ao verem novamente Jesus ressuscitado, adoram-no, prostram-se diante Dele como seu Mestre e seu Deus. Jesus fala-lhes com a majestade própria de Deus: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra”. Jesus confirma a fé dos que o adoram e lhes ensina que o poder que irão receber deriva do próprio poder divino: “O Espírito Santo descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins do mundo. Dizendo isto, elevou-se da terra à vista deles, e uma nuvem o ocultou”. Assim nos descreve São Lucas a Ascensão na primeira leitura da missa. Foi-se elevando pouco a pouco. Os apóstolos permaneceram olhando para Jesus, que subia ao céu com toda a majestade, enquanto lhes dava a última bênção, até que uma nuvem o ocultou. A Ascensão aos céus é o último mistério da vida do Senhor aqui na terra. É um mistério redentor, que constitui, com a Paixão, a Morte e a Ressurreição, o Mistério Pascal. Cristo, também como Homem, com seu Corpo, é glorificado pelo Pai com aquela Glória que Ele, como Filho de Deus, tinha ainda antes de que o mundo fosse criado. Ele é a Cabeça do seu Corpo Místico que é a Igreja. Todos os membros da Igreja, membros do seu Corpo Místico – de certa maneira –, também subimos junto com Cristo ao Céu: em promessa e em esperança.

Os apóstolos voltam a Jerusalém com grande alegria porque sabem que Jesus não os abandonará: sobe ao céu, onde vai lhes preparar um lugar. Nós também estamos contentes porque a Ascensão nos garante que Cristo voltou para o Pai e que também nós iremos ao Pai: Jesus sobe ao Céu para nos preparar um lugar junto do Pai. Por outro lado, a Ascensão garante também que Ele está conosco: Ele foi ao Pai e voltará do mesmo modo como subiu ao Céu. A Ascensão fortalece e estimula a nossa esperança de alcançarmos o Céu e nos incita constantemente a levantar o coração a fim de procurarmos as coisas do alto, como nos sugere o Prefácio da Ascensão.

Em seguida, aparecem uns anjos: “Homens da Galileia, por que ficais aí a olhar para o céu?”. Dizem aos apóstolos que é hora de começar a imensa tarefa que os espera, e que não devem perder um só instante. Com a Ascensão termina a missão terrena de Cristo e começa a dos seus discípulos, e também a nossa. Os apóstolos seguem a sugestão dos anjos e nenhum deles se retrai: não se assustam, não têm medo. Hoje também nós recebemos esta missão da expansão do reino do Céu. Devemos nós também falar de Deus às pessoas, num clima de amizade. Contar a nossa própria experiência. Transmitir, com segurança, a alegria de nos saber filhos de Deus. Estamos vivendo a experiência do Sínodo: todos e cada um de nós somos responsáveis pela Igreja, pelas pessoas que temos à nossa volta. Devemos deixar-nos conduzir pelo Espírito Santo e sermos apóstolos, discípulos missionários de Jesus Cristo em nossa Arquidiocese de São Paulo.

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