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Representantes da Arquidiocese de São Paulo participam de Congresso Internacional de Pastoral Escolar e Universitária no Vaticano

A equipe executiva do Vicariato Episcopal para a Educação e a Universidade da Arquidiocese de São Paulo e do Núcleo de Formação Continuada para Profissionais da Educação da Fundação São Paulo participou, nos dias 22 e 23 de outubro de 2026, do Congresso Internacional de Pastoral Escolar e Universitária, promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé, no Vaticano.

A delegação foi composta por Dom Carlos Lema Garcia, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e Vigário Episcopal para a Educação e a Universidade; Prof. Diego Kenji de Almeida Marihama, Coordenador Acadêmico; Ir. Vania Cristina de Oliveira e Frei Maciel Alves Bueno, membros do Núcleo de Formação Continuada para Profissionais da Educação da Fundação São Paulo.

Com o tema “Desenhar novos mapas de esperança”, o congresso reuniu representantes de diferentes países para refletir sobre os desafios atuais da educação católica e da ação pastoral nas escolas e universidades. A programação contemplou questões relacionadas ao cultivo da interioridade, à dimensão humana no ambiente digital e à educação para a paz, promovendo o diálogo sobre o papel das instituições educativas na formação das novas gerações.

Na abertura do congresso, o Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, destacou a importância de reconhecer e cuidar da singularidade de cada pessoa. As reflexões ressaltaram o papel da educação na promoção da dignidade humana, no desenvolvimento das potencialidades e na busca de sentido para a existência. O cultivo da interioridade, o fortalecimento dos vínculos comunitários e a promoção de relações humanas também estiveram entre as questões abordadas, especialmente diante de uma sociedade marcada pela velocidade das informações e pela presença constante das tecnologias digitais.

Entre os conferencistas, o psicanalista e ensaísta Massimo Recalcati refletiu sobre o desejo de aprender e a responsabilidade dos educadores na mediação do conhecimento. Sua abordagem destacou a importância de despertar nos estudantes a curiosidade, o interesse e a disposição para conhecer, reconhecendo o papel do testemunho e do envolvimento dos professores nesse processo. A religiosa Martha Séïde, das Filhas de Maria Auxiliadora, abordou a necessidade de uma conversão pastoral diante dos desafios, chamando a atenção para os riscos de reduzir a educação a critérios meramente econômicos, para o enfraquecimento das relações humanas e para a exclusão de crianças e jovens, do direito à educação.

Quanto ao Cardeal Timothy Radcliffe, destacou o valor da atenção em uma sociedade marcada pelo excesso de informações, ressaltando que a atenção ao outro é uma expressão de amor, escuta e acolhimento. Inspirando-se na obra O Hobbit, considerou a necessidade de oferecer aos jovens segurança e, ao mesmo tempo, incentivá-los a explorar novos caminhos. Enfatizou também o valor das perguntas, da curiosidade e do pensamento crítico na formação humana e intelectual.

Ao abordar a inteligência artificial, chamou a atenção para a diferença entre acessar informações e construir uma compreensão profunda da realidade. Sua reflexão convidou educadores e instituições a preservar o encontro, o diálogo e a presença humana nos processos educativos. Nesse contexto, ressaltou que a tecnologia pode contribuir para a aprendizagem, mas deve estar a serviço da pessoa. A formação integral exige tempo para escutar, refletir e construir relações significativas. A educação, portanto, precisa cultivar a busca pela verdade e pelo sentido da vida.

O Papa Leão XIV este presente no congresso e em seu discurso, destacou que muitos jovens enfrentam solidão digital, sofrimento existencial, insegurança e medo diante do futuro.

O Pontífice ressaltou que as instituições educativas devem ser como uma casa, onde cada estudante se sinta acolhido, reconhecido e esperado. Incentivou os educadores a valorizar as perguntas dos jovens, estimular o pensamento crítico e promover o diálogo entre fé e razão. Também alertou para uma cultura excessivamente orientada pelo desempenho e pela comparação, que pode levar os estudantes a desistirem diante das dificuldades. Por fim, destacou a importância de educar o coração para a compaixão, a gratidão e o amor ao próximo, afirmando que o serviço aos pobres, o voluntariado e o cuidado com a criação são dimensões fundamentais da formação cristã.

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