Viver na Comunhão dos Santos

D. Carlos Lema Garcia

Todos os domingos, ao rezar o Credo na missa, terminamos dizendo: “Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja católica, na Comunhão dos Santos, na ressurreição da carne, na vida eterna.”

Comunhão dos Santos significa que todos os cristãos formamos uma comunhão, uma união vital. Outra maneira de entender essa realidade é considerar a Igreja como Corpo de Cristo, em que Ele é a Cabeça deste Corpo Místico. São Paulo nos ajuda a entender, quando escreve: “como o corpo é um todo com muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim é Cristo. (I Cor 12, 12). Tal como acontece no corpo humano, os membros são diferentes uns dos outros e cada um cumpre a sua função, o que mantém a vitalidade corpo. Nenhum membro é supérfluo: todos têm o seu lugar, a sua função, em benefício do corpo inteiro. É verdade que alguns são mais vitais que os outros: o cérebro, coração e os pulmões, por exemplo, são mais fundamentais do que as mãos, as pernas, etc. Mas se qualquer membro se separar do corpo, perde a vida. Do mesmo modo é a relação dos cristãos com Cristo: formamos um Corpo Místico, em que Cristo é a cabeça e os cristãos membros desse mesmo Corpo. Tudo o que acontece a um membro do Corpo Místico repercute nos outros. Trata-se de um mistério profundo e consolador: pensar que nenhum esforço nosso é perdido, que sempre estamos amparados uns pelos outros.

O Catecismo da Igreja ensina que “o cristão que procura purificar-se do seu pecado e santificar-se com a ajuda da graça de Deus, não se encontra só. A vida de cada um dos filhos de Deus encontra-se ligada de modo admirável, em Cristo e por Cristo, à vida de todos os outros irmãos cristãos, na unidade sobrenatural do Corpo Místico de Cristo, como que numa pessoa mística” (n. 1474). Significa também que há uma Comunhão entre o Céu e a terra: “Cremos na comunhão de todos os fiéis de Cristo, dos que são peregrinos na terra, dos defuntos que estão terminando a sua purificação (Almas do Purgatório), dos bem-aventurados do Céu, formando, todos juntos, uma só Igreja, e cremos que nesta comunhão o amor misericordioso de Deus e seus santos está sempre à escuta das nossas orações. (idem, n. 962)

Numa prova de ciclismo na Europa, o ciclista que liderava a competição numa das etapas, quando já se aproximava do final, caiu e permaneceu sentado no chão. Ficou tão desanimado com a queda, que nem se levantou, apesar de não estar machucado e a bicicleta continuar funcionando. Em função disso, os outros ciclistas o ultrapassaram e ele nem mesmo terminou aquela etapa. Ao final o treinador aproximou-se dele, e em vez de consolá-lo, disse-lhe:

“- Você não corre só para si mesmo, mas para a sua equipe. Se você tivesse levantado e terminado a prova, ainda que não a vencesse, a nossa equipe teria sido a campeã.”
O mesmo acontece neste momento em que vivemos uma situação inédita, que certamente nunca havíamos imaginado. Seguindo as orientações das autoridades, devemos permanecer isolados em casa e isso nos convida a repensar a nossa vida. Pelo mistério da Comunhão dos Santos, ainda que cada um esteja isolado em sua casa, temos a certeza de estar profundamente unidos com Nosso Senhor Jesus Cristo, com Nossa Mãe Santa Maria e com todos os Santos do Céu. Também estamos em comunhão com todos os nossos irmãos neste mundo, com os nossos familiares, parentes e amigos que já se encontram na outra vida, com as Almas do Purgatório.
Vamos aproveitar essa situação para fomentar a nossa comunhão de oração e de intenções. Podemos perfeitamente aproveitar esses dias para participar diariamente na Santa Missa, acompanhando as celebrações pela internet.

D. Odilo, em seu recente comunicado nos orienta: “exorto os fiéis a acompanharem, em suas residências, as celebrações e atos religiosos transmitidos pelos vários meios de comunicação social. Peçamos juntos, com fé e perseverança, que Deus tenha misericórdia de seu povo, livrando-nos de toda doença e angústia.”
Podemos também rezar o terço online, com pessoas próximas. Ou unir-nos em oração com os nossos amigos e parentes, em horários determinados, como tem acontecido em muitos lugares do mundo.

Mesmo que não o sintamos nem o percebamos, com a oração e vigilância estamos sendo um membro vivo do Corpo Místico de Cristo e contribuindo para a saúde espiritual e humana de todos os nossos.

Dessa maneira, talvez possa repetir-se conosco o que experimentou aquele jovem engenheiro que, em plena guerra, passava por um momento de perigo, e teve a certeza de que a força da oração de seu amigo sacerdote – que não sabia do problema, mas rezava frequentemente pelo rapaz – o livrou daquela situação delicada. Depois escreveu-lhe, agradecido: “Padre, em tal dia, a tal hora, o senhor estava rezando por mim” (São Josemaria, Sulco, n. 472).

Nestes tempos de incertezas, necessitamos saborear essa realidade consoladora, que nos fortalece e nos sustenta, da Comunhão dos Santos.

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